A série documental Amazônidas traz uma perspectiva inédita sobre a Amazônia, focando nas histórias e experiências das pessoas que fazem e são a sociodiversidade da região.
A produção estreou no dia 21 de janeiro de 2025, no cinema de Santarém, oeste do Pará e representa uma das primeiras grandes séries documentais idealizadas e realizadas por profissionais nascidos e residentes na região. (ASSISTA AO TRAILER OFICIAL)
Equipe que produziu a série (Foto: Lucas Clemente)
Idealizada pelo antropólogo e documentarista Diego Alano Pinheiro, a série destaca as narrativas de 17 interlocutores de comunidades quilombolas, povos indígenas, ribeirinhos, LGBTQIAPN+ e populações negras da Amazônia, trazendo uma visão humanizada sobre o que significa viver e ser Amazônida. Esta abordagem contrasta com as comuns representações da região, que frequentemente se concentram na fauna e flora e são realizadas por produções estrangeiras.
“Queremos que o público compreenda profundamente e genuinamente as nossas crenças, a cultura, o nosso jeito de viver em comunidades na Amazônia. Cada história evidencia a essência do que somos e a identidade dos nossos povos,” explica o diretor Diego Alano.
Uma narrativa sobre pessoas e culturas
Parte dos interlocutores de Amazônidas (Foto: Lucas Clemente)
Dividida em cinco episódios – LGBTQIAPN+, Educação Indígena, Negritudes, Ribeirinhos e Crenças –, a série exibe temas como educação intercultural, saberes ancestrais, diversidade de gênero e sexualidade, espiritualidade, e as conexões entre as comunidades e o meio ambiente.
Os episódios são interdependentes e tem duração de 30min cada um. A fotografia da série se destaca por capturar tanto a beleza natural da Amazônia quanto os gestos e expressões que revelam as histórias de seus protagonistas – o povo Amazônida.
No episódio “Educação Indígena”, por exemplo, a artista Gilvana Borari destaca a resistência e as lutas dos povos tradicionais. “Falar sobre Amazônia é falar sobre as nossas lutas, nossa cultura. Estou feliz de fazer parte do documentário e falar da nossa casa, nossa vida. Falar de nós, sem nós, nunca mais”, enfatiza.
Estreia no cinema santareno (Foto: Lucas Clemente)
O pajé Nato Tupinambá, em outro episódio, fala sobre sua profunda relação com a floresta: “A floresta é a minha casa sagrada.” Sua narrativa reflete como a floresta é essencial para a espiritualidade e o modo de vida de seu povo.
A diversidade de gênero e sexualidade também é abordada de maneira sensível, como no depoimento da multiartista Adélia Luiz, ativista LGBTQIAPN+: “Reivindico meu espaço através da minha arte; é minha forma de continuar viva e resistindo.”
Lançamento no cinema em Santarém (Foto: Lucas Clemente)
Produção genuinamente Amazônida
Selecionada pelo Edital de Audiovisual Fomento Inciso I – Lei Paulo Gustavo, Amazônidas foi realizada por uma equipe majoritariamente composta por profissionais locais, reforçando o protagonismo dos povos da região na construção de suas próprias narrativas.
As gravações, realizadas ao longo de nove meses, percorreram localidades como Alter do Chão, Monte Alegre, Altamira, Belém, Castanhal, e comunidades ribeirinhas ao longo dos rios Tapajós e Arapiuns.
No total, foram registradas mais de 42 horas de conteúdo, incluindo entrevistas e imagens de apoio.
Equipe majoritariamente composta por profissionais de Santarém e região (Foto: Lucas Clemente)
Sinopse
Amazônidas é uma série documental em cinco episódios que retrata as múltiplas perspectivas sobre o ser e viver na Amazônia, sobretudo a paraense. Com histórias de comunidades quilombolas, populações negras, indígenas, ribeirinhas e LGBTQIAPN+, a série busca valorizar as narrativas dos povos locais, destacando as dinâmicas culturais e a sociodiversidade da região. Os temas abordados incluem educação intercultural, conexão com a floresta e os rios, saberes ancestrais, diversidade de gênero e crenças.
Nato Tupinambá durante gravações (Foto: Reprodução Muruci Produções)
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